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terça-feira, 14 de abril de 2020

COMO ESTUDAR COM AS CRIANÇAS EM CASA DE MANEIRA PRODUTIVA DURANTE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS



Diante da situação de pandemia que estamos enfrentando, as escolas (e não somente elas) foram obrigadas a suspenderem suas atividades presenciais. Para evitar mais prejuízos aos pais e alunos, muitas escolas estão fazendo a substituição das aulas presenciais por aulas à distância. Esse novo cenário está se apresentando de forma confusa para pais e alunos, já que estão todos passando por uma nova experiência e tendo que se adaptar à essa nova realidade que, ainda, não tem prazo para terminar.
Em cursos regulares, seja na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Universidades, essa situação é totalmente nova. Nunca antes os alunos (e também os professores) passaram pela experiência de ter as aulas presenciais substituídas e adaptadas para plataformas on-line.
Sabemos que por mais que a experiência escolar seja insubstituível na formação de um indivíduo e seja fundamental até mesmo para seu convívio social e comunitário, o momento pelo qual estamos passando também pode ser de aprendizado para todos nós.
Nesse cenário, é fundamental criar estratégias para garantir que os alunos possam continuar aprendendo de forma saudável e construtiva durante a crise, mesmo porque a educação não se resume ao simples depósito de informação na cabeça dos alunos. Cabe aos educadores fazerem dessas aulas uma construção de conhecimentos de formas mais lúdicas e criativas.
O mais ideal a ser feito seria promover conteúdos realmente significativos ao invés de se preocupar em dar todo o conteúdo programático relativo as aulas presenciais, pois isso não garantirá um bom aprendizado.
Há pais e alunos com dificuldades em realizar estas tarefas e é importante que neste momento a escola esteja ao lado das famílias e vice-versa.
Para tornar esses momentos de estudo on-line tranquilos é necessário que os alunos se organizem com as famílias para conseguirem estudar com qualidade, e para isso é excelente criar uma agenda. É importante também manter uma rotina de estudos.
O local onde o aluno vai estudar em casa também deve ser visto com atenção, pois precisa permitir que ele se concentre e foque nos estudos.
Os alunos também precisam ter paciência e os pais ao seu lado para lidar com alguns imprevistos que possam ocorrer, pois as instituições também não estavam preparadas para essa mudança.
Agora é o momento de ter um convívio e uma integração maior com a família, fortalecendo esse vínculo. É muito importante que os pais mostrem para seus filhos que eles também estão se adaptando à nova realidade. Não está sendo fácil para ninguém, porém os pais devem acompanhar, sempre que possível, as atividades escolares de seus filhos. Devem dar autonomia para eles, mas ficar por perto.
Se os alunos sentirem dificuldades com a nova metodologia ou não estiverem conseguindo utilizar os recursos adequadamente, peça ajuda aos professores e coordenadores que, com certeza, irão auxiliá-los nesse processo.
Os alunos irão sentir falta de conversar e da presença de seus amigos, então procurem manter contatos virtuais, tirar dúvidas e até estudar com eles.
Nesse momento, a união da família é muito importante para esse processo. Ouçam seus filhos, lhes transmitam tranquilidade e deem abertura para que possam demonstrar seus sentimentos. Isso irá ajudá-los a realizar seus estudos com mais sucesso.
Aproveitem essa oportunidade!





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?


Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam oDiagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre- que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
 Texto original em Psychology Today